"Bom dia, meus amores! Como vocês estão?"
Essas frases não saem da minha cabeça. Já perdi a noção de quanto tempo estamos assim, separados, nesse distanciamento forçado. Quase dois meses? Mais? Não têm sido fáceis esses dias. Fico imaginado que para vocês também não. Quantas incertezas, quantas angústias, medos, saudades têm invadido nossas vidas durante esse período. Gostaria que vocês soubessem que não estão sozinhos e que todos nós, em menor ou maior grau, estamos experimentando esses mesmos sentimentos.
Eu não sei vocês, mas eu tenho lido muito durante esse período. E algumas dessas leituras têm sido provocativas, porque convidam a pensar no amanhã, no pós-pandemia, em como será a nossa vida quando tudo isso passar ou, pelo menos, quando o pior passar. Pensadores, sociólogos, filósofos do mundo todo se veem diante de um momento fecundo para pensar os rumos da nossa sociedade, pensar os mundos possíveis que podem surgir a partir dessa tragédia que a humanidade está enfrentando.
Enquanto escrevo, já temos mais de 3 milhões de pessoas contaminadas no mundo e mais de 200 mil mortes mundo afora por Covid-19. E é bem possível que esses números sejam bem maiores. A subnotificação dos casos é grande, no Brasil, por exemplo, grupos de pesquisas de diferentes universidades afirmam que os números reais podem ser de 12 a 15 vezes maiores do que os dados oficiais. Isso se deve, principalmente, a falta de testes ou ao atraso nos resultados desses testes. Se não bastasse tudo isso, o Brasil ainda enfrenta uma crise política, em grande medida, provocada por aqueles que deveriam estar nesse momento preocupados em combater a crise do coronavírus e não criando outras crises. O distanciamento social parece ter conseguido achatar a curva de espalhamento do vírus, mesmo assim, já vemos os sistemas de alguns estados entrando em colapso. Ainda teremos dias duros pela frente, com cenas tristes e fortes. Mais do que nunca, precisamos nos cuidar, ficar em casa, quem puder, redobrar os cuidados de higiene. Não é hora de rolê na praça, de visitar avós, de encontrar amigos. Ainda não, e ficar longe nesse momento, é sinal de amor, de cuidado, de respeito pelos outros e por nós.
Todos nós sabemos que não está sendo fácil. Esse isolamento mexe muito com nossas emoções, nossos sentimentos, nossas relações. Muita gente nunca passou tanto tempo em casa, com a família. E agora, esse "excesso" de contato pode trazer à tona nossas diferenças, pode gerar atritos. Outros podem estar se sentindo extremamente sozinhos, podem estar sentido falta de pessoas queridas, dos colegas, amigos, da escola. Todos nós estamos enfrentando desafios e teremos muito o que aprender, inclusive sobre nós mesmos. Mas, acima de tudo, temos muito o que aprender sobre como viver em sociedade daqui para frente.
Haverá retorno à normalidade? Existia algo "normal" antes de tudo isso? Sairemos piores ou melhores dessa pandemia? Seremos mais ou menos egoístas depois dessa crise sanitária que arrasa o mundo? Nossos valores e nossas prioridades seguirão os mesmos depois de tantas mortes? Ainda fará sentido pedir um Estado mínimo ou defender projetos que, entre outras coisas, visam privatizar o sistema de saúde? E na Educação, que mudanças podemos esperar para o pós-Covid-19? Teremos que nos adaptar às tecnologias de comunicação como os novos meios de ensino? É possível falar de "Educação" a distância? Na iminência de novas pandemias no futuro, que hábitos teremos que mudar? Que adaptações teremos que fazer nos nossos espaços cotidianos?
Meus amores, não sei quando iremos nos reencontrar - confesso que estou com muita saudade de vocês, de ouvir as vozes de vocês, de ver os rostos cheios de vida e os sorrisos de vocês. Mas quando isso acontecer, teremos muitas coisas para conversar. Só para variar, eu tenho perguntas, mas não tenho respostas. Convido vocês a pensar sobre essas questões e, quem quiser, compartilhar aqui neste blog as ideias, as reflexões que vierem a fazer. Ao longo do texto, deixei vários links, nos quais vocês podem encontrar mais informações e algumas reflexões já em curso sobre a pandemia.
Por hora é isso. Fiquem bem, cuidem-se, cuidem das pessoas que vocês amam, fiquem em casa. Se tiverem tempo e condições, leiam, leiam muito, leiam notícias, procurem boas fontes de informações, leiam literatura, leiam poesia! Mas também se arrisquem a produzir poesias, músicas, pequenos textos ou textos longos. Escrevam cartas, façam relatos, mas, acima de tudo, exercitem a imaginação, imaginem o mundo de amanhã. Precisaremos de muita criatividade para reinventar nossas maneiras de ser e estar no mundo.
Um grande abraço, com muita saudade,
Fran
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